A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender até as 19h o horário de votação do segundo turno das eleições de 2026 provocou críticas de parlamentares e reacendeu o debate sobre o impeachment de integrantes da Corte.
O senador eleito Marcel van Hattem (Novo-RS) criticou a medida e afirmou que pretende defender o impeachment de ministros do Supremo por supostos abusos de autoridade relacionados ao processo eleitoral. Em declaração divulgada neste domingo (25), ele também questionou a atuação individual de Zanin e cobrou uma resposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Estão tentando vencer no tapetão”, declarou Van Hattem ao criticar a prorrogação. O parlamentar também pediu que o TSE anulasse a decisão.
Já o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, manifestou-se contra a determinação e criticou o que classificou como nível de intervenção de integrantes do STF. “Espero sinceramente que o bom senso prevaleça e qualquer golpe judiciário ou chicana administrativa não prospere pelo bem da democracia”, publicou.
Decisão provocou críticas e questionamentos
Zanin determinou a extensão do horário de votação em todo o país após pedidos relacionados a dificuldades de transporte e deslocamento de eleitores. A decisão ocorreu perto do encerramento previsto para as 17h e levou à interrupção temporária da totalização dos votos, provocando questionamentos sobre a aplicação da medida nas seções em que a votação já havia sido encerrada.
As críticas dos parlamentares se concentram na atuação do ministro, na competência para determinar a mudança e nos possíveis impactos sobre o processo eleitoral. As declarações, porém, representam posicionamentos políticos e não comprovam, por si só, a ocorrência de crime ou irregularidade.
Impeachment depende de procedimento no Senado
Embora Marcel van Hattem tenha defendido o impeachment de ministros do STF, as manifestações divulgadas até o momento não confirmam o protocolo de um pedido formal de impeachment especificamente contra Cristiano Zanin em razão dessa decisão.
No Brasil, cabe ao Senado Federal processar e julgar ministros do Supremo por eventuais crimes de responsabilidade, conforme as regras constitucionais e legais. Para que uma iniciativa avance, é necessário cumprir as etapas previstas na legislação.
Até o momento, portanto, as declarações indicam pressão política e intenção de defender medidas contra integrantes da Corte, mas não significam que um processo de impeachment contra Zanin tenha sido aberto ou que seu afastamento esteja decidido.
Fontes: ND Mais | Valor Econômico | G1