Em mais de sete décadas, o rádio acompanhou o crescimento de Ibiporã, registrou acontecimentos, revelou comunicadores e se transformou junto com a cidade
Muito antes da internet, das redes sociais, dos portais de notícias e dos aplicativos de mensagens, era pelo rádio que boa parte da população se informava, se divertia e acompanhava os principais acontecimentos de sua cidade.
Em Ibiporã, essa história começou há mais de sete décadas. A radiodifusão faz parte da própria formação da identidade do município e, ao longo dos anos, passou por diferentes fases, tecnologias, profissionais e formatos.
A trajetória conhecida começa em 1955, com a Rádio Cultura Norte do Paraná, considerada a primeira emissora de rádio instalada em Ibiporã. Décadas mais tarde, a cidade voltaria a ter uma emissora local com a Rádio Alternativa FM 87,9, que posteriormente passou a adotar o nome Play FM 87,9, mantendo a presença do rádio no município.

A chegada do rádio a Ibiporã
Em 1955, Ibiporã ainda era uma cidade muito diferente da atual. O município crescia rapidamente, impulsionado principalmente pela agricultura e pela expansão da região Norte do Paraná.
Foi nesse cenário que surgiu a Rádio Cultura Norte do Paraná, marcando o início da história documentada da radiodifusão local.
A emissora tinha como titular o Dr. Murilo Lupion de Quadros, enquanto a direção local ficou sob responsabilidade do gaúcho Nelson Sperandio, personagem que teve participação importante nos primeiros anos do rádio ibiporaense.
A rádio funcionava em uma sala do Edifício São Jorge, pertencente a Nagib Din, local onde hoje é a Parolar Presentes. O espaço também servia de residência para Sperandio e sua família.
A instalação técnica da emissora ficou sob responsabilidade de João Schabiner, dando início a uma estrutura que, para a época, representava uma verdadeira novidade tecnológica para a população.
A inauguração foi marcada por um grande evento. Para a ocasião, foi convidada a Orquestra Continental de Jaú, que participou de um baile realizado no antigo Clube 19 de Dezembro.
O rádio chegava a Ibiporã não apenas como um novo meio de comunicação, mas como um acontecimento social.
Os primeiros profissionais
A Rádio Cultura Norte do Paraná também abriu espaço para uma geração de profissionais que ajudaria a construir a história da comunicação local e regional.
Entre os nomes registrados na história da emissora estão Élcio José Gonçalves, Ribeiro Neto, Antônio D’Andreia, Carlos Guimarães, Alceu Cordeiro, Alcides Vasconcelos e Nelson Sperandio.
Na área técnica, aparecem os nomes de José Roque e Lourival Bassi.
Em uma época em que as emissoras de rádio tinham uma presença muito mais ampla na rotina das famílias, esses profissionais eram responsáveis por levar música, informação, entretenimento e prestação de serviço para os ouvintes.
O rádio também acabou funcionando como espaço de formação e convivência. Nelson Sperandio, por exemplo, mantinha paralelamente um curso Madureza, contribuindo para a formação de moradores que buscavam atualizar seus conhecimentos.
Mudança de direção
A história da primeira emissora também passou por mudanças.
Em fevereiro de 1957, segundo registros históricos sobre o município, a Rádio Cultura Norte do Paraná foi vendida para uma proprietária identificada como Dra. Marta, de Bela Vista do Paraíso, e Aldo Mello assumiu a direção da emissora.
A documentação histórica disponível, entretanto, apresenta lacunas sobre os anos seguintes. Não estão suficientemente esclarecidos, em registros digitalizados disponíveis atualmente, todos os detalhes sobre a continuidade da emissora, eventuais mudanças de razão social, frequência, proprietários ou o momento exato em que ela deixou de operar em Ibiporã.
Um registro histórico do município aponta que Ibiporã possuía uma emissora de rádio em 1973, mas as fontes consultadas não permitem afirmar, com segurança, se se tratava da continuidade jurídica da Rádio Cultura Norte do Paraná ou de uma nova estrutura.
Essa é uma das partes da história que ainda merece ser recuperada por meio de jornais antigos, documentos de concessão e depoimentos de antigos moradores e profissionais.
Uma nova geração chega ao rádio
Depois de um período em que os registros históricos disponíveis ficam mais escassos, uma nova etapa da radiodifusão local começa no início dos anos 2000.
Em 16 de julho de 2001, entrou em funcionamento a Rádio Alternativa FM 87,9, uma emissora comunitária que se tornaria uma das principais referências do rádio local nas décadas seguintes.
A emissora foi idealizada e colocada em funcionamento por Luiz Benedicto Prata, contando também com a participação de voluntários.
O surgimento da Alternativa ocorreu em um momento em que as rádios comunitárias começavam a ocupar um espaço importante na comunicação de pequenas e médias cidades brasileiras, aproximando o rádio das demandas dos bairros e das comunidades.
Em Ibiporã, a emissora assumiu justamente essa característica.
Rádio a serviço da comunidade
Ao longo de sua trajetória, a Rádio Alternativa 87,9 esteve ligada a diferentes acontecimentos da vida de Ibiporã.
A programação abriu espaço para missas, cultos, sessões da Câmara Municipal, cobertura eleitoral, eventos comunitários, ações filantrópicas, prestação de serviços e entretenimento.
O modelo era diferente daquele das grandes emissoras comerciais.
A proposta de uma rádio local permitia uma relação muito próxima com os moradores. O telefone da emissora, a participação dos ouvintes e a presença de representantes da comunidade faziam com que o rádio se tornasse uma espécie de extensão da própria cidade.
Em muitos momentos, a população encontrava na emissora um canal para divulgar eventos, procurar ajuda, anunciar campanhas e acompanhar assuntos que diziam respeito diretamente ao cotidiano de Ibiporã.
Da Alternativa à Play FM
Com o passar dos anos, mais precisamente em 2023, a emissora de 87,9 MHz passou por uma transformação de identidade e passou a ser conhecida como Play FM 87,9.
Hoje a emissora está sob a direção do jornalista Pablo Fares, e além da rádio fazem parte do Grupo Play de Comunicação a Play TV e os Estúdios Play.
É importante destacar que, historicamente, Alternativa FM e Play FM não devem ser tratadas como duas emissoras diferentes, mas como diferentes fases da trajetória da rádio comunitária que ocupa a frequência 87,9 MHz em Ibiporã.
A mudança de identidade acompanhou também a transformação do próprio rádio.
A emissora que nasceu em um período ainda dominado pelo rádio tradicional passou a conviver com internet, redes sociais, transmissão de vídeo e novas formas de consumo de informação.
O rádio deixou de estar restrito ao aparelho colocado na sala ou na cozinha.
Passou a estar também no celular, no computador, nas redes sociais e nas plataformas digitais.
O rádio que virou multiplataforma
É nesse cenário que a atual Play FM 87,9 se apresenta como parte de uma estrutura de comunicação mais ampla.
A operação passou a integrar diferentes plataformas, com produção de conteúdo para rádio, internet, vídeo e redes sociais.
Essa transformação representa uma mudança significativa em relação aos primeiros tempos da Rádio Cultura Norte do Paraná.
Em 1955, o desafio era colocar uma voz de Ibiporã no ar.
Hoje, o desafio é fazer essa voz chegar ao ouvinte onde ele estiver.
A essência, porém, permanece semelhante: a comunicação local.
Mais de 70 anos de memória
Da primeira transmissão da Rádio Cultura Norte do Paraná à atual Play FM 87,9, são mais de sete décadas de história do rádio em Ibiporã.
Nesse período, a cidade mudou, cresceu e se modernizou. Os equipamentos também mudaram. Os estúdios passaram dos primeiros sistemas analógicos para computadores, sistemas digitais e transmissões pela internet.
Os ouvintes também mudaram.
Mas o rádio permaneceu presente.
Foi testemunha do crescimento de Ibiporã, acompanhou eleições, festas, acontecimentos esportivos, celebrações religiosas, momentos de solidariedade e episódios que ficaram na memória dos moradores.
E, principalmente, ajudou a dar voz à comunidade.
Uma história que ainda precisa ser contada
Apesar dos registros já existentes, a história completa do rádio de Ibiporã ainda está longe de estar totalmente documentada.
Existem lacunas importantes entre a primeira emissora, na década de 1950, e o surgimento da Rádio Alternativa, em 2001. Também há histórias de profissionais, programas, estúdios e acontecimentos que provavelmente permanecem apenas na memória de antigos radialistas e ouvintes.
Por isso, recuperar essa trajetória também significa ouvir quem viveu esses momentos.
Quem trabalhou em uma emissora de Ibiporã, quem apresentou um programa, operou uma mesa de som, fez reportagem ou simplesmente passou anos acompanhando a programação pelo rádio também faz parte dessa história.
A história da radiodifusão ibiporaense, afinal, não é apenas a história das emissoras.
É a história de quem esteve atrás do microfone, de quem trabalhou nos bastidores e, principalmente, de milhares de pessoas que, ao longo de mais de 70 anos, fizeram do rádio uma companhia diária.
De 1955 aos dias atuais, o rádio mudou. Ibiporã também. Mas a voz local continua no ar.